EDITORIAL
O Espírito Empreendedor E As Incertezas Do Mercado
Num mundo onde as ações são cada vez mais céleres e as oportunidades ficam sempre para os mais ágeis, tudo converge para a confirmação de uma teoria do economista canadense Mc Luhan. A razão de proporcionalidade proposta por ele para relacionar alimento com população – Enquanto a produção de alimentos cresce numa progressão aritmética, a população cresce em progressão geométrica – bem que poderia ser extendida para a relação oportunidade de emprego – população. Sabemos que a tendência natural é a substituição da mão-de-obra humana pelas máquinas, cada vez mais sofisticadas e eficientes, com a automação muito próxima da perfeição e da excelência. Para onde iria então toda a mão-de-obra substituída pelas máquinas? A solução seria a criação de novas oportunidades de aplicação da mão-de-obra qualificada. Até aí tudo bem. A absorção do funcionário qualificado por parte do mercado de trabalho deve ser justa e conveniente. Mas, o que fazer com a mão-de-obra não qualificada e com os milhares de jovens que a cada ano chegam a esse mercado de trabalho? Se já não existem vagas para todos os qualificados, como solucionar esse problema? Há uma máxima popular em que se diz que ao invés de se dar o peixe, deve-se ensinar a pescar. É com essa tendência que surge a idéia da orientação para o empreendimento. Levar o jovem desde cedo a pensar em criar oportunidades de empregabilidade e não apenas preparar-se para assumir um bom emprego. Esse hábito deveria estar arraigado na cultura popular, principalmente na população pertencente às camadas de menor renda. É aqui que nos deparamos com um impasse e uma contradição. Como empreender sem conhecimento? Como empreender com conhecimento, mas sem capital para investir numa boa idéia? Animados com muitos incentivos, inúmeros são os candidatos a empreendedor que desistem pelo meio do caminho, por medo de não conseguir dar continuidade ao seu projeto bem elaborado, mas que ainda não fora devidamente testado num mercado de competição nem sempre leal ou coerente, sob o ponto de vista tributário. No momento em que se comemora a Semana Global do Empreendedorismo, de 17 a 23 de novembro, em mais de sessenta países - incluindo-se o Brasil – haveria a necessidade dos nossos parlamentares, em todas as esferas, revisarem as leis de tributação e incentivo fiscal, a fim de garantir a sustentabilidade dos pequenos negócios, bem como a consolidação das grandes empresas, como forma de garantia da empregabilidade e da sobrevivência de inúmeros negócios, que invariavelmente são sacrificados por falta de uma política justa e coerente que estimule a que mais e mais empregados se tornem empreendedores, sem o risco de fracasso nos movimentos iniciais de sua atividade empresarial.