Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito
NAS PRÓXIMAS CAMPANHAS

Tudo se repetirá. Estamos em 2008 e daqui a dois anos os brasileiros terão a obrigação de ir às urnas novamente. De dois em dois anos os brasileiros vão às urnas escolher seus administradores, com a esperança duvidosa de que as condições sociais vão melhorar, até pela máxima do "pior não pode ficar". Só que pior não tem limitação, e piora sim, especialmente a desilusão das pessoas com seus administradores públicos.
Como as eleições são alternadas, muitos se candidatam a cargos legislativos estaduais e federais na perspectiva de se tornarem prefeitos nas cidades grandes. Nas menores, são candidatos a prefeitos para se tornarem legisladores nas esferas mais altas. Poucos se candidatam para cumprirem projetos e ações efetivas em benefício da sociedade.
Ainda este ano as Polícias Civil e Militar de São Paulo se defrontaram, com troca de tiros e tudo mais; bandidos explodiram literalmente uma delegacia em Botucatu/SP; os pais Nardoni jogaram uma criança do sexto andar, outras duas crianças foram devolvidas à força pelo Conselho Tutelar em Ribeirão Pires/SP para os pais matarem sufocadas com sacos plásticos. No Paraná duas crianças foram violentadas sexualmente e colocadas em mala e saco de lixo. No Rio de Janeiro morrem crianças todo dia de tiroteios nos morros. Isso é tão rotineiro que não surpreende mais.
Você fará sua avaliação hoje sobre a qualidade da educação, a limpeza da sua cidade, a demora nos julgamentos pela Justiça, a eficiência da polícia que não apura mais de 5% dos crimes, a qualidade dos rios das grandes cidades, da quantidade de favelas, da situação das estradas, a quantidade de furtos de carro e tantos outros problemas. Analise os feitos dos administradores públicos hoje e reflita por que não resolve hoje e solucionarão no próximo mandato.
Sem dúvida, apontarão solução para tudo. Mas analise há quanto tempo os futuros candidatos já estão na política e quantas vezes já foram candidatos e prometeram a mesma coisa.
Quando chegar o período de campanha, a Justiça Eleitoral repetirá sua cantilena parcial de cidadania, com incentivo ao exercício do voto, sem levar em conta que os candidatos são os mesmos de há vinte, trinta anos na vida pública, mas não informa que R$ 3,50 é o valor médio da multa por não votar e que o pagamento tem o mesmo feito do voto em todos os sentidos. Ou seja, votar ou pagar esse preço é a mesma coisa. Já o "debate" eleitoral da imprensa restringe-se às artimanhas das coligações. Já o voto facultativo nenhuma emissora discute, ao menos por respeito ao cidadão.
Precisaria uma mobilização geral pela abstenção e voto nulo como forma de demonstrar a insatisfação da população, na mesma proporção das campanhas incentivadoras ao exercício do voto. Precisa mudar essa cultura do político brasileiro visar apenas sua carreira e de enxergar o povo apenas como instrumento para realização de seu desejo pessoal. E só deve votar quem achar que vale a pena. Quem estiver satisfeito, vota; quem estiver insatisfeito, não vota e paga três reais.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito