Tudo se repetirá. Estamos em 2008 e daqui a dois anos
os brasileiros terão a obrigação de ir às
urnas novamente. De dois em dois anos os brasileiros vão
às urnas escolher seus administradores, com a esperança
duvidosa de que as condições sociais vão
melhorar, até pela máxima do "pior não
pode ficar". Só que pior não tem limitação,
e piora sim, especialmente a desilusão das pessoas com
seus administradores públicos.
Como as eleições são alternadas, muitos se
candidatam a cargos legislativos estaduais e federais na perspectiva
de se tornarem prefeitos nas cidades grandes. Nas menores, são
candidatos a prefeitos para se tornarem legisladores nas esferas
mais altas. Poucos se candidatam para cumprirem projetos e ações
efetivas em benefício da sociedade.
Ainda este ano as Polícias Civil e Militar de São
Paulo se defrontaram, com troca de tiros e tudo mais; bandidos
explodiram literalmente uma delegacia em Botucatu/SP; os pais
Nardoni jogaram uma criança do sexto andar, outras duas
crianças foram devolvidas à força pelo Conselho
Tutelar em Ribeirão Pires/SP para os pais matarem sufocadas
com sacos plásticos. No Paraná duas crianças
foram violentadas sexualmente e colocadas em mala e saco de lixo.
No Rio de Janeiro morrem crianças todo dia de tiroteios
nos morros. Isso é tão rotineiro que não
surpreende mais.
Você fará sua avaliação hoje sobre
a qualidade da educação, a limpeza da sua cidade,
a demora nos julgamentos pela Justiça, a eficiência
da polícia que não apura mais de 5% dos crimes,
a qualidade dos rios das grandes cidades, da quantidade de favelas,
da situação das estradas, a quantidade de furtos
de carro e tantos outros problemas. Analise os feitos dos administradores
públicos hoje e reflita por que não resolve hoje
e solucionarão no próximo mandato.
Sem dúvida, apontarão solução para
tudo. Mas analise há quanto tempo os futuros candidatos
já estão na política e quantas vezes já
foram candidatos e prometeram a mesma coisa.
Quando chegar o período de campanha, a Justiça Eleitoral
repetirá sua cantilena parcial de cidadania, com incentivo
ao exercício do voto, sem levar em conta que os candidatos
são os mesmos de há vinte, trinta anos na vida pública,
mas não informa que R$ 3,50 é o valor médio
da multa por não votar e que o pagamento tem o mesmo feito
do voto em todos os sentidos. Ou seja, votar ou pagar esse preço
é a mesma coisa. Já o "debate" eleitoral
da imprensa restringe-se às artimanhas das coligações.
Já o voto facultativo nenhuma emissora discute, ao menos
por respeito ao cidadão.
Precisaria uma mobilização geral pela abstenção
e voto nulo como forma de demonstrar a insatisfação
da população, na mesma proporção das
campanhas incentivadoras ao exercício do voto. Precisa
mudar essa cultura do político brasileiro visar apenas
sua carreira e de enxergar o povo apenas como instrumento para
realização de seu desejo pessoal. E só deve
votar quem achar que vale a pena. Quem estiver satisfeito, vota;
quem estiver insatisfeito, não vota e paga três reais.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito